sábado, 14 de março de 2009

Viva o Teatro!

Ontem, véspera do dia do Pi (3-14 ou 14/3 aqui no Brasil), que por acaso é aniversário de Einstein e Glauber Rocha; começaram as aulas de teatro no colégio onde estudei todo Ensino Fundamental e Médio. Tinha falado com  o diretor e por ele eu podia participar do grupo este ano, o que me deu muita alegria já que havia visto vários ensaios em outros anos, participado de alguns mas nunca vivido o processo completo da montagem de um espetáculo teatral.
Espero uma boa oportunidade de trabalhar em 2009 as singularidades do grupo para que isso se reflita em bons espetáculos ou esquetes.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sobre o Carnaval

Ah, Carnaval.
A festa da carne que antecede os 40 dias da quaresma dos católicos. Mas não para mim. Discordianistas não jejuam por motivos religiosos, nem se abstém dos praseres da vida. Eu no meu humilde nomadismo urbano, na minha pirataria metropolitana, apenas vago pelo Rio, de bloco em bloco tomando rum, cerveja ou soda.
Conheci muitas pessoas legais, revi amigos que a tempo não via, pulei, cantei, sambei, me diverti. Essa é a essência do carnaval. A energia sonora, as pessoas, a alegria de Arlequim e ao mesmo tempo a melancolia de Pierrot.
Muitos cariocas viajam, mas chegam bem mais pessoas de fora. Do mundo todo. Da Austrália, Argentina, Inglaterra, França, Suécia, África do Sul, Japão. Todos os vôos convergem para o Rio de Janeiro a capital mundial do samba, do carnaval, hospitalidade e alegria. Apesar dos problemas, como disse uma gringa ontem a mim no Empório "Brazil is the best country in the world, every country has problems, but Brazil is the best". Concordo. Somos e sempre fomos um país e um povo com muito potencial.
 "O país do futuro." "Ninguém segura esse país!" "Pra frente Brasil!" "Um país de Todos".
Célebres ufanismos. Não sou ufanista, o nacionalismo me atraí mais. Não um nacionalismo militarista que contribuiu para as duas guerras mais sangrentas da Europa no século passado, mas o nacionalismo à moda dos franceses. Que preferem falar francês, que apesar de odiarem os ingleses, se orgulham de sua cultura, de sua história, de sua nação. Mesmo sendo um país com uma grande imigração de africanos, mantiveram sua identidade. Foram a primeira república da História Moderna.
O Brasil é a nona economia do mundo, apesar das disparidades sociais. Nós temos o único acelerador de partículas do hemisfério Sul, apesar do pouco incentivo financeiro à pesquisa. Apesar do analfabetismo, grandes escritores e poetas surgiram em nossas terras. Nomes como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes. Músicos e compositores como Milton Nascimento, Chico Buarque, Arrigo Barnabé, Heitor Villa-lobos, Tom Jobim. Pintores como Portinari e Tarcila do Amaral. Nosso país é uma incrível mistura de etnias, culturas, credos, ritmos e danças.
O povo não é dócil ao contrário do que a classe dominate quer que acreditemos. Vide os inúmeros levantes, revoltas, em todos os períodos de nossa história. Seja por meio de Quilombos, guerras, movimentos separatistas, conjurações e conspirações, nunca aceitamos de boca calada e mãos nos bolsos a opressão e a injustiça. Arre! No Brasil já teve guerrilha!
Não vou me extender no discurso clichê, de que nosso território é enorme e a natureza exuberante, e temos muitos recursos, porque isso não adianta de ABSOLUTAMENTE NADA. Hoje em dia o que importa é ter capital, indústrias, balança comercial favorável, mercado financeiro, risco país. Não é a toa que temos a maior taxa de juros do mundo. A temos para agradar aos banqueiros e para atrair investimentos de fora. Se houvesse um corte abrupto dos juros, o que seria bom para o cidadão comum, os investidores estranjeiros remanejariam seu dinheiro para outro país "em desenvolvimento".
Para finalizar este post deixo uma letra de música do primeiro disco de Gabriel O pensador:

...E você? - Agostinho Ferreira da Silva/Gabriel OPensador/Fabio Fonseca/Marcelo Mansur

Brasileiro é o que eu sou
Rapper brasileiro
Mas eu sou um brasileiro antes de ser rapper ou pagodeiro ou os dois ou nenhum
Posso assimilar a cultura do mundo inteiro
Mas sei que nasci no Rio de Janeiro - Brasil
Então não seja imbecil de pensar que eu não poderia cantar assimou assado
Porque eu vou me expressar na forma e na hora que eu escolher
Aqui ou em qualquer lugar
Valorizando sempre as nossas 
Raízes Costumes Cultura musical em geral
Então escuta o que eu digo pro americanizado débil mental
(Você é um burro e não vê a excelente cultura e os costumes do seu próprio país
E abre as pernas pro que os outros lhe impõe
Sem camisinha ou vaselina como o Tio Sam sempre quis)
Mas também não adianta o xenofobismo radical
Eu vou jogáforanolixo o que é ruim e usar o que é bom da cultura mundial
Vou ler assistir escutar e cantar
E nem por isso deixando de lado a produção cultural aqui do meu lugar
E no fundo no fundo todos os homens vieram da África
Principalmente alguns povos como por exemplo o nascido e formado aqui nessa pátria
E não (se) esqueça que cada cultura se forma de uma certa forma e cada sociedade cultiva suas normas mas junto nós todos formamos a Humanidade que engloba todos os seres humanos
Que podem se destacar dos outros animais pela sua capacidade de pensar
Capacidade que muitas vezes não é utilizada
E sendo assim não serve pra nada
Mas eu penso logo existo
Existo logo penso e tento utilizar essa capacidade de raciocinara todo momento
Posso pensar na forma de Rap Livro Pintura ou Baião
Posso pensar certo mas também tenho o direito de errar
Vacilão
Mas eu tento enxergar tudo e se eu não enxergasse amigo eu usava óculos
Sou mais um inconformado sem partido feito a Denise Stoklos
E eu falo pra todos aquelesque querem me ouvir e vão concordar oudiscordar
Talvez acordar
Talvez me seguir ou talvez me vaiar (mas eu vou defecar)
E eu falo pros meus conterrâneos mas posso falar pro estrangeiro
Mas "eu sou apenas um rapaz latino-americano"
Então em primeiro lugar o que eu falo é pros brasileiros
Inclusive pras "Lôrabúrras" pros playboys pros militares e pros crentes
Pra todos os fdp carentes que sofrem com a dominação cultural
Seja com a doutrinação social militar religiosa ou de origem internacional
Humanamente também tô do lado desses coitados que tão no caminho errado e por isso merecem e precisam ser esculachados
O brasileiro precisa fazer uma lavagem cerebral
Aproveitando o que vem lá de fora mas sem esquecer o nosso valor nacional
Cultural natural e da nossa história
É triste me olhar no espelho e saber que pertenço a um povo semmemória
E por culpa da gente é que nada muda no país
A miséria é permanente desde que os primeiros portugueses chegaram aqui
As deficiências dessa sociedade tão aqui desde cedo:
Fome Corrupção Desigualdade Povo covarde Desemprego...
Antigamente o sistema escravista não dava espaço ao trabalho livre
Hoje os problemas são outros
O espaço ainda é pouco e a superpopulação que o diga
E mesmo hoje em dia é bom que se lembre:
Os que trabalham não são homens livres e continuam escravizados como sempre
-Escravos- é isso o que somos
Escravos da própria falta de atitude
Alguns se iludem ficam esperando que alguma coisa mude...
Os mais afetados esquecem onde tão e aplaudem tudo o que for importado
Espero que tenha ficado bem claro de que lado eu tô
Apesar de ser um terráqueo
Gabriel O Pensador nunca vai se esquecer o pedaço do planeta deonde ele saiu:
Esse pedaço bonito cansado sofrido e explorado chamado Brasil
Então se você só dá atenção para o que vem de fora não me dê atenção
Me jogue fora
(Tchau! Vou embora)(Vai!)(Não! Fica aí)
Eu fico pra alegria e satisfação parcial da nação
Trazendo uma nova linguagem uma nova forma de comunicação que muitos brasileiros ainda não conheciam: O Hip Hop
Que não tinha Ibope porque muitos não entendiam
Mas hoje ele é universal e até no Japão ele é assimilado
E pra quem achava uma droga depois dessa dose cuidado pra não setornar viciado porque eu aplico Hip Hop
Na veia Na mente Na frente Nas costas No peito
E não me esqueço que sou brasileiro então eu fabrico Hip Hop domeu jeito
Do nosso jeito
Desse jeito que você nunca conheceu
Com brasileiros tocando instrumentos ou mais Be Sample que aFernanda Abreu (Rio 40')
É somente a capital cultural do território nacional que é opurgatório da beleza e do caos no verão ou no inverno
Purgatório que pra muitos é bem pior que o inferno
E ao mesmo tempo é o céu pra outros poucos sortudos
Brasileiros surdo-mudos que apesar de tudo estar sorrindo para eles continuam negando e cuspindo naqueles que tão pedindo esentindo "o gosto amargo desse nosso egoísmo que destrói os nossos corações"
Será só imaginação?
Não Não Acho que não
E se você não quer realidade então vai ver televisão
Mas eu tô na vida real e não quero fugir dessa realidade
E eu acho que até passava mal se me olhasse no espelho eenxergasse um covarde
Então eu vou continuar o idealismo que parece arte
E se precisar mudo até de nome feito o Chico Buarque
E "apesar de você" não se mexer
Não sei porquê sua anta
Me escuta
De que adianta ser filho da Santa?
Melhor seria ser filho da luta
Seria bom se tudo fosse um sonho e quando eu acordasse estivesse tudo lindo e pronto
Mas isso nós não merecemos porque só vivemos dormindo no ponto
Então eu tento ficar acordado até na cama quando eu tô dormindo
E também não sou de nenhuma tribo urbana porque eu não sou totalmente índio
Eu tenho um pouco de índio no sangue mas não no sangue inteiro
Eu tenho um pouco de tudo no sangue porque eu sou brasileiro
Mas o que eu definitivamente não tenho no sangue é vergonha deser o que eu sou
E não sei porque os brasileiros não têm auto-estima e não se dãov alor
Mas eu me valorizo
Minha cabeça
Minhas idéias
Meus amigos
Minha liberdade de pensamento
Minha terra
O chão onde eu piso
Meu estilo
Minha cultura
Os costumes e o povo de onde eu vivo
Entre tantas outras coisas que eu valorizo e que depois você vai entender
E você amigo? Valoriza o quê?


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Poemas pós-noite

Divagações na volta para casa.

No meio do caminho
Tinha o Nada.
Tinha um Nada
No meio do caminho.
No meio do caminho
A milhares, talvez milhões
de anos atrás;
Muito antes dos
colonizadores chegarem,
muito antes dos índios,
Antes de a América
ser América,
O caminho não existia.

Antes disso tudo,
Havia a vegetação
Havia os animais,
Havia os fungos,
as bactérias e
os procariotas.

A humanidade luta
pelo excesso;
A Natureza,
pelo equilíbrio.
A primeiro é jovem,
A segunda tem trilhões
de anos.
A primeira não é sustentável,
A segunda auto-sustenta-se
Quem estará de pé no final?

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Instante.

Agora, neste exato momento
Uma mãe palestina chora
a morte de sua pequena filha.
Israel, o Estado das pobres
e inocentes vítimas do Holocausto,
segrega, tortura e mata palestinos.
Pedradas são revidadas com tiros.
Muros são construídos.
Documentos são verificados.
Homens, mulheres e crianças
são revistados.
Tudo num território que é deles por direito,
No qual viveram durante muito tempo.

Israel é o único "país"
que ao mesmo tempo pode fazer  o papel
de vítima e opressor ao mesmo tempo.

Viva a heróica resistência Palestina!
Viva a heróica resistência Iraquiana!
Viva a soberania e a auto-determinação dos povos!

Eu sou realista, exijo o impossível:
Paz na Terra Santa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sampa, meu!

Então como disse no último post, passei o fim de semana passado em São Paulo. Apesar de todos os defeitos de uma cidade grande, os quais utilizam para falar mal daquela cidade, principalmente os bairristas; eu gostei da cidade. O metrô é integrado de verdade com a rodoviária (não é um ônibus e sim uma estação no próprio terminal), aos ônibus, e à malha ferroviária (de graça). Ou seja, se você não souber andar de ônibus na cidade e quiser andar apenas de metrô, provavelmente conseguirá!
Todos falam mal do metrô do trânsito da cidade, porém durante o fim de semana que passamos lá praticamente não pegamos congestionamentos. Fomos ao MASP ao MIS e à Pinacoteca. No MIS tava rolando a exposição repeat all que é muito legal. São vários videos que ficam repetindo
direto. O que mais gostei foi o do alemão John Bock no qual aparecia uma performance enérgica do mesmo. No MASP visitamos três exposições uma sobre mitologia, uma sobre retratos e uma sobre paisagens. Gostei mais da primeira. Vi também aqueles dois quadros que foram roubados ano passado haha.

Fizemos o check-in no Blue Tree Tower e fomos almoçar na Liberdade. Foi incrível porque eu lembrava a rua na qual tinha um restaurante que servia lamem que fui com meu pai e alguns parentes que vivem em são paulo mais de 5 anos atras. Mas o restaurante não consegui lembrar qual era. O lamen do Yamaga é muito bem servido, você se farta de comer por 15 reais.
Ao fim da tarde voltamos ao hotel, todos tomaram banho e tal. Fui com minha irmã ao Morumbi Shopping, do mesmo grupo que é dono do Barra Shopping, entre outros. Demos uma volta e eu comprei uma camisa. Ao passarmos pela praça de alimentação me segurei MUITO pra não comer no Burger King, sendo que o único que tem no rio fica na Barra, mas estou querendo perder peso inútil. Quando saímos do shopping estava chovendo horrores. Corremos feito loucos até o hotel que era a tipo 1 ou 2 quadras de distância. Chegamos ensopados. Choveu tanto que o jogo do Corinthians foi paralisado e morreu uma pessoa na zona oeste. Jantamos a pizza do serviço de quarto que era razoável.
Domingo de manhã fomos à Pinacoteca que é muito legal, vários quadros, instalações e esculturas. A exposição que mais gostei, tirando o acervo boladão, foi "Anni e Josef Albers - Viagens pela América Latina". Ah e na rodoviária de São Paulo(que é bem melhor que a do Rio), tem uma sala vip de algumas companhias pros passageiros. Bem, na sala vip, pode-se pegar jornal de graça, o que é uma mão na roda pra viagens longas.
Bem pra mim o único ponto ruim foi não ter podido sair no sábado a noite por causa da chuva, o que é ridículo já que enchentes podem ser evitadas, já que existem cidades que estão abaixo do nível do mar.

PS.: Na liberdade comprei um chapéu legal e Gomorra por um preço bem honesto. (y)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

prox

2 horas da manhã,
Tia insônia bate em minha porta.
Pergunto quem é.
"Sou tudo que você nunca alcançou
as garotas que você nunca beijou
os socos e chutes que você nunca deu
porque tinha medo."

A cidade inteira vibra
como um acorde dissonante
tocado fora do tom da música.
E a banda de um deus que não existe
e se existe, provavelmente no odeia
toca a música chata e melodiosa.
Enquanto isso, na "Terra Santa"
irmãos matam uns aos outros,
em troca de um punhado de terra.

O país mais poderoso do mundo
elegeu um presidente negro.
Vírgula.
Lá o voto é facultativo,
e deve ser um dos países mais racistas também.
Seu presidente não é nenhum revolucionário como Zumbi foi
ele foi à faculdade.
Ele foi senador.
Ele usa terno e gravata.
Ele nunca liderou uma greve.
Ele nunca matou ninguém.
Ele nunca ergueu barricadas.
Ele nunca foi desnutrido.
Ele nunca ficou na fila do seguro desemprego.

A mídia diz que é um momento histórico.
Eu digo que será a maior decepção do século.
Um presidente não é como um rei.
Ele governa em conjunto com o congresso e o judiciário.
Maldito Estado Burguês.

Eles te empurram comida, carros, televisores
E você trabalha cada vez mais para comprar tudo isso.
E com seu suor eles ficam mais ricos.
Repita.

Se o Brasil é um país de todos.
Acho que deveriámos mandar todos os moradores de rua para o Planalto.
Eles dividiriam um quarto com o Senhor Presidente.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Bem-vindos

Ao deserto do (ir)real. 
(: